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segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

El Vino...


El vino.


Sí señor, sí señor,

El vino puede sacar cosas que el hombre se calla.

Que deberían salir cuando el hombre bebe agua.

Va buscando pecho adentro por los silencios del alma

Y les va poniendo voces y los va haciendo palabras.

A veces saca una pena, que por ser pena es amarga,

Sobre su palco de fuego la pone a bailar descalza.

Baila y bailando se crece, hasta que el vino se acaba

Y entonces vuelve la pena a ser silencio del alma.


Sí señor,

El vino puede sacar cosas que el hombre se calla.

Cosas que queman por dentro, cosas que pudren el alma

De los que bajan los ojos, de los que esconden la cara.

El vino entonces libera la valentía encerrada

Y los disfraza de machos, como por arte de magia.

Y entonces son bravucones, hasta que el vino se acaba.

Pues del matón al cobarde, sólo media la resaca.


Sí señor,

El vino puede sacar cosas que el hombre se calla.

Cambia el prisma de las cosas cuando más les hace falta.

A los que llevan sus culpas como una cruz a la espalda.

La impura se piensa pura, como cuando era muchacha,

Y el astado regatea la medida de su drama.

Y todo tiene colores de castidad simulada.

Pues siempre acaban el vino y los dos, en la misma cama.



Sí señor,

El vino puede sacar cosas que el hombre se calla.

Pero ¡qué lindo es el vino!

El que se bebe en la casa del que está limpio por dentro

Y tiene, y tiene brillando el alma.

Que nunca le tiembla el pulso cuando pulsa una guitarra,

Que no le falta un amigo ni noches para gastarlas,

Que cuando tiene un pecado, siempre se nota en su cara.

Que bebe el vino por vino, y bebe el agua por agua.


Alberto Cortez

sábado, 16 de janeiro de 2010

Você se Considera um ENOCHATO ?????

O injusto sofrimento dos enófilos
Mauricio Tagliari
De São Paulo


Prometo que não vou reclamar novamente dos altíssimos impostos cobrados sobre os vinhos no Brasil. O assunto é outro. Sou só eu ou mais alguém percebe que está na moda falar mal de quem gosta de vinhos? Em alguns círculos e na mídia em geral, parece que o legal é ironizar quem demonstra um interesse mais sério a respeito de vinhos. Basta você tentar sentir o aroma de um deles em um restaurante mais descolado que alguém da mesa do lado olha torto, com ar superior, como quem diz "olha aí mais um enochato"! Às vezes, até mesmo alguém da sua mesa solta uma gracinha a respeito.

Pior! Todo texto de colunista ou blogueiro mais esperto, até os que tenho em alta conta, não perde a oportunidade de dizer o quanto é ridículo girar taça em público, que não se deve enfiar o nariz no copo, que é bobagem olhar a rolha, etc. E todos pregam na testa do coitado do enófilo o epíteto "enochato". Já soube de conhecidos que, apesar de gostarem de bons vinhos, intimidam-se de pedi-los em público. Passaram a pedir cervejas mais finas. Mas, mesmo assim, disfarçam ao "cheirar" a bebida para não serem censurados ou ironizados.

Me pergunto qual seria a razão desta fúria. Inveja da sensibilidade alheia? Medo do desconhecido? Preguiça? Necessidade moderna de parecer tosco para ser interessante? Ou todas as anteriores? Pela minha experiência no mundo da música, aposto na última alternativa. É um estranho fenômeno moderno, este. Moderno no sentido do início do século XX. Mas que agora chegou até à classe média.

Para ser cool e sofisticados, temos de ser desleixados, proto-ignorantes. Temos de valorizar a estranheza e não gostar do que seria de bom tom gostar. Somos todos um pouco dadaístas, um pouco snobs e, por que não, um pouco toscos! Mas com "atitude".

Por que cair de pau justamente nas "enopessoas"? Há chatos muito piores e mais ruidosos. Os cinéfilos, por exemplo. Outro dia quase saí correndo ao escutar as bobagens que uma atriz cult vomitava na fileira de trás do cinema para suas duas amigas! Mas não me ocorreu chamá-la de "cinechata"... E os maníacos por futebol? Alguns beirando o insuportável. E sem freios civilizatórios. Quem os trata por "futechatos"? E os nerds? E os geeks? A lista é enorme.

O termo enochato se disseminou de tal maneira que passou a ser arremessado contra qualquer pobre apreciador de vinho. Além disso, é uma jabuticaba! Só existe no Brasil. Há o wine bore em inglês mas não é exatamente a mesma coisa. Ou o arcaico italiano enolaio. Mas não destilam o mesmo preconceito contra o cidadão que tenta simplesmente degustar seu vinhozinho sem fazer mal ao próximo.

É claro que há chatos em qualquer atividade, trabalho ou hobby. E provavelmente um ou outro novo rico, snob e chato pode ter irritado muita gente com seu papo de vinho. Talvez até mesmo algum inocente apreciador mais entusiasmado tenha atravessado um pouco a linha da chatice. Mas, convenhamos, a reação da sociedade foi exagerada: cunhou um neologismo!

Penso tudo isso após um jantar com Maurizio Zanella, o proprietário, enólogo e ideólogo da Ca' del Bosco, uma estrela da Franciacorta, região que produz o melhor espumante da Itália. Do nível dos melhores Champagnes.

Seu charme despojado, entusiamo e conhecimento de causa nos remete a um mundo em que apreciar vinho é a coisa mais natural. Um mundo onde não existem nem enochatos nem seus críticos. Um mundo no qual todos somos curiosos, honestos e sem preconceitos.

Zanella contou sua trajetória de estudante relapso de uma família sem tradição vitivinícola a produtor de vinhos finíssimos (e caros) com humildade e bom humor. Contou-nos que, ironicamente, os jogadores brasileiros do Milan, clube do qual é conselheiro, têm um grande interesse e uma cultura de vinhos maior do que a dos jogadores italianos. Confirmou, inclusive, que o capitão Cafu é um coineusseur.

Criticou fundamentadamente as taças flute para beber espumantes mais encorpados e aromáticos como os Franciacorta e Champangnes. E mais, enfiou no copo seu nariz italiano despudoradamente para apreciar os deliciosos aromas de seus vinhos. E por que não seria assim? Afinal, ele nem sabe da existência dos enochatos. E não tem nenhuma razão para se sentir intimidado pelos "espertochatos".

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Vermelho Rubi


Temo algum dia não poder mais ver o vermelho rubi
Ou não mais ouvir o verter de um vinho em uma taça
Apavoro-me diante da possibilidade iminente de não sentir mais os aromas terrosos
Nem os frutados
Quase não durmo ao imaginar a falta da acidez no paladar
Ou de não encontrar mais nessa vida a tanicidade adequada
Ainda que sabendo da única certeza dos mortais
Morro um pouco a cada garrafa acabada
Por saber que era única, perfeita e inesquecível
Apesar dos seus defeitos.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

1000 coisas que voce deve aprender


Sexta-feira chegando, e como é de praxe, deixamos sempre algo para nossos confrades refletirem ao longo do final de semana, desta vez, um pouco prolongado pelo feriadão. Minha intenção foi listar aqui as 1000 coisas que você deve aprender antes de entrar em uma confraria. Como trata-se de uma longa lista, conto com a colaboração dos demais colegas responsáveis pelo blog, e é claro, com nosso numeroso contingente de seguidores, que poderão nos ajudar a incrementar esta lista através dos comentários adicionais.
Para começar, listarei as que mais acho importantes, e deixo com vocês o restante da mesma.

- Nunca faça clareamento dos dentes enquanto estiver em uma confraria. Sua boca poderá se transformar do dia para a noite, e seu sorriso ficará parecendo de quem come giz de sinuca.

- Quando for responsável pela guarda das garrafas de sua confraria, faça sempre com maior cuidado. Não existe nada pior do que chegar no dia marcado para degustação e você aparecer diante de seus confrades com a garrafa quebrada.

- Nunca leve uma garrafa quebrada para a degustação, com um suposto líquido dentro, dizendo aos confrades que conseguiu segurar a tempo de ainda sobrar um restinho para ser degustado. Alguém sempre vai achar que foi armação sua e que aquele líquido não é do verdadeiro vinho.

- Nunca se ache o “entendido” em frente aos confrades, só por ser amigo de pessoas influentes no mundo do vinho. Seja humilde, Robert Parker é bom, mas as vezes também se engana.

- Seja imparcial na hora da degustação, não é porque você adora os vinhos do novo mundo, que todo vinho do velho mundo não presta. Saiba avalia-los sem que o gosto pessoal influencie em suas notas.

- Antes de dar qualquer palpite sobre vinhos para alguém, procure saber com quem está falando. Ele pode entender muito mais do que você sobre vinho, e lhe achar um ridículo.

- Em degustação as cegas, seja sempre honesto. Nunca roube as rolhas antes para descobrir o que vai ser degustado, para depois ficar emitindo opiniões como se fosse “o cara” , acertando todos os vinhos da noite.

- Quando for você o responsável pela janta da confraria, nunca diga que aquele molho especial é sua receita secreta. Alguém pode descobrir que você apenas comprou um foundee pronto e esquentou na panela.
Por hoje é isto meus confrades, mas acredito que poderemos incrementar ainda mais est post com vossas opiniões.